Minha bisavó
sempre diz: Tudo nessa vida tem um lado bom. Inclusive o fim das coisas.
Sábias
palavras.
Aliás, certíssimas
e certeiras palavras. E provavelmente só as compreendem os mais vividos ou os que
estejam há um bom tempo sobrevivendo na Terra.
Na teoria, então,
todo final tem seu lado bom. Sem receios.
É o natural.
Nascemos,
vivemos, desabrochamos, sorrimos, nos machucamos, amamos, choramos, e
morremos. É assim.
Não sei de
onde tiraram a ideia de que existe o tal do “para sempre” estampado em todos os
meios de comunicação, e no rosto das pessoas.
Que coisa chata esse tal de "forever and ever"!!! (ZzzZZzzzzz...)
Além de desconhecer a origem,
acreditam fielmente no que a palavra significa. E o mais esquisito: Vai de
encontro as maiores certezas desse mundo: Nascemos e morremos.
O que há de ser “para
sempre” então?
Tudo nasce
tudo morre.
Pois é.
Inclusive as relações humanas. (Oh yeah!)
E é um tal do
descontrole e vontade de morrer quando elas acabam. (Calma!)
É um fato, ué.
Fato este, inclusive,
que se encontra no próprio dicionário:
Desisti dos ruídos. Acelerei minha prece. Pedi ao sol
proteção. Cobri-me de sereno. Enfeitei-me de estrelas. Lembrei canções. Ouvi coração.
Cantei para o infinito. Deixei livre instinto. Joguei-me no mar. Misturei ondas.
Pulei idades. Abracei flores. Escalei prismas. Sacudi tombos. Resgatei brilho. Caminhei
sobre pontes. Corri deserto. Aceitei desejos. Parti de longe. Refleti
no tempo. Brindei sorrisos. Escutei o vento.
Eu poderia optar por fechar os olhos e escutar tudo que os sentimentos infelizes trazem.
Poderia amargurar meu coração.
Enfeitar com laços pretos todas as lembranças boas.
Chorar lágrimas de desgosto.
Poderia deixar pra trás todo o aprendizado e partir para o regresso.
Poderia deixar que o mal ofuscasse todos os abraços e sorrisos sinceros e as palavras que um dia, também foram sinceras.
Poderia apagar as luzes do quarto e dos olhos.
Desabrochar em conformidade com a realidade que às vezes nos faz cair, tropeçar, fraquejar, morrer.
Poderia me esquecer do sol.
Ou da lua.
Poderia esquecer todos os amigos bons, as discussões de bar, as palavras de amor.
Poderia optar por fechar o coração, por traduzir todos os sentimentos e sobreviver a uma vida sem sal. Apenas sobreviver.
Mas de alguma forma, através de algum pensamento, de algum sentido sobreposto em uma ocasião ou no silêncio, estabeleci o traço do aquecimento da vida.
Respeitei o meu próprio nascimento e a surgimento de cada novo dia.
Restabeleci a minha ordem, a minha faceta, a minha vontade.
Desencontrando o sentido e se esquecendo dele, optei por caminhar.
Apenas caminhar.
E assim, eu me respeitei.
dia 4 de janeiro de 2012 no Arpoador, Ipanema - RJ