sábado, 27 de outubro de 2012

uma verdade cheia de vontade.


...parecia ser perfeito demais para ser verdade.
Ocorreu quando os desejos foram ouvidos e respeitados.
Tudo em sintonia, num ritmo lento, tornou-se tranquilidade.
Até o vento parecia tomar forma.
E até a forma parecia ter sido recriada pelas pinceladas suaves de Monet.
E no ritmo acalento desalinharam-se os pensamentos.
Einstein (e sua genialidade racional) não entenderia.
Tudo guardado, mas que num instante transparecera sobre a pele.
Era um ato perfeito.
Fato consumado.
E o que era verdade, distanciou-se da razão naquele instante exato.
Minutos após, a verdade mudou de dono, de origem. Modificou-se.
A verdade se perdeu.
Perdeu-se de vista... foi em busca de ousadia.
E no fim, na companhia da razão, perdeu-se a vontade de ir busca-la de volta.
Doces toques tenros e segundos serenos.
Sensibilidade que tomou forma e espaço.
E a forma virou vento. 
E o vento pra longe, levou uma verdade.
Verdade aquela que tinha como forma 58 kgs de vontade. 



segunda-feira, 20 de agosto de 2012

#eunãolevopracasa mesmo.


Cogitei a hipótese de criar um blog em meados de 2011. Estava inspirada nessa vontade.
Essa ideia passou pela minha cabeça há anos, desde que blog virou blog, e blog virou moda.
Mas, sentia vergonha de publicar os textos (apesar de ser a alternativa mais usada quando faltava coragem para pronunciar palavras) pois, achava tudo ruim demais pra ser exposto.
E mais: a timidez me segurava.
Em 2011 isso mudou. (Não a parte de textos ruins..., porque tem coisa aqui que não vale os 78 segundos gastos na leitura. Eu sei!) Mas, certo dia, na companhia de pessoas amadas, com o vento entrelaçando meus cabelos num rosto sorridente, ao som da voz “moleca” da Baby cantando “A menina dança”, tomei coragem e criei isso daqui.
Pois é... fechei os olhos, me libertei e escrevi. Dentro de mim a menina dançava feliz e isso já era suficiente.
Criei o blog e declarei a mim mesma: Seja o que Papai do Céu quiser!
O que vão dizer... se iriam ou não me julgar pelos textos (isso já aconteceu.) fazia parte do risco. De qualquer maneira, escrevi, publiquei e o resultado esta salvo e registrado. Palavras minhas e não ditas. Apenas escritas.
As partes ruins, julgamentos, o que não vale à pena, o que não fica ou que não tenha criado raiz, eunãolevopracasa. 



   

quarta-feira, 25 de julho de 2012

"O mundo é amarelo!"


Eu perguntei a ela o que ela achava... e ela respondeu: O mundo é amarelo!
Não conseguia entender o significado daquilo, então me colocava para pensar em busca da resposta. Cérebro em ritmo sagaz para desvendar a incógnita.
“O mundo é amarelo”! Ela insistia.
A pequena formiga carregava suas folhinhas e todo o seu cansaço nas costas. Dia e noite, com chuva ou sol, sem intervalo, ela trabalhava.
Sagaz era aquela formiguinha e não meus pensamentos.
Egoísmo achar que os meus pensamentos eram sagazes, perto do trabalho árduo daquela criaturinha esforçada.
Pequena e forte, guerreira, de alguma forma estava ali mudando o mundo. Se esforçando e fazendo a sua parte nele.
Para ela o mundo era amarelo, por alguma razão particular.
Poderia ser por causa da luz do sol, ou simplesmente porque ela o enxergava assim...
Mas ela o via.
E mais: da sua maneira o sentia.
Isso já era fascinante.


video



segunda-feira, 16 de julho de 2012

não acaba em pizza.


Minha bisavó sempre diz: Tudo nessa vida tem um lado bom. Inclusive o fim das coisas.
Sábias palavras.
Aliás, certíssimas e certeiras palavras. E provavelmente só as compreendem os mais vividos ou os que estejam há um bom tempo sobrevivendo na Terra.
Na teoria, então, todo final tem seu lado bom. Sem receios.
É o natural.
Nascemos, vivemos, desabrochamos, sorrimos, nos machucamos, amamos, choramos, e morremos.  É assim.
Não sei de onde tiraram a ideia de que existe o tal do “para sempre” estampado em todos os meios de comunicação, e no rosto das pessoas. 
Que coisa chata esse tal de "forever and ever"!!! (ZzzZZzzzzz...)
Além de desconhecer a origem, acreditam fielmente no que a palavra significa. E o mais esquisito: Vai de encontro as maiores certezas desse mundo: Nascemos e morremos. 
O que há de ser “para sempre” então?
Tudo nasce tudo morre.
Pois é. Inclusive as relações humanas. (Oh yeah!)
E é um tal do descontrole e vontade de morrer quando elas acabam. (Calma!)
É um fato, ué.
Fato este, inclusive, que se encontra no próprio dicionário:
FIM: Termo, arremate, conclusão. Finalidade, causa, motivo. Intenção, propósito. Limite. Morte.
Ops! Fim significa também, morte.
Sensato. Palavras bem colocadas. Propositalmente correlacionadas no dicionário.
Então, fim significa morte. Morte significa que acabou, que já era, que não tem mais jeito. E que não adianta se desesperar.
E ninguém, até hoje, no curso da história conseguiu modificar essa certeza.
Pra que viver achando que as coisas duram mesmo para sempre então... Elas não duram, amigão!
Tem que morrer pra renascer, pra dar lugar ao novo. 
Esvaziar para que depois da chuva surja um triunfo. (Ou não. Mas haverá mudanças!)
AFinal, no Final de tudo, o Fim é o fechamento de um ciclo para dar inicio a um outro ciclo (e fim).
....interpretar o fim da melhor maneira possível.

Virar a página, usar o ponto final. Dar inicio ao novo, de novo.





sábado, 9 de junho de 2012

.um minuto meu.


Deixe que o vento faça a curva e retorne mais brando.
Deixe que o silêncio te diga o que fazer.
Respire lentamente
Sorria para si mesmo.
Lembre-se da sua grandeza e que a sua alma reflete sob uma fortaleza.
Valorize a sua chance.
Dê cordas à imaginação e aos sonhos.
Desligue-se.
Por um minuto, flutue pelos seus próprios membros.
Sinta o fluxo do seu sangue, dos seus batimentos.
É a sua música.
Voe.
Se abrace. Seja você mesmo.
Mate essa saudade.
Um minuto dedicado, um tempinho resguardado.
Segundos que curam.
Que preenchem.


Mostram-nos o sentido.


domingo, 3 de junho de 2012

minha prece.


Desisti dos ruídos. Acelerei minha prece. Pedi ao sol proteção. Cobri-me de sereno. Enfeitei-me de estrelas. Lembrei canções. Ouvi coração. Cantei para o infinito. Deixei livre instinto. Joguei-me no mar. Misturei ondas. Pulei idades. Abracei flores. Escalei prismas. Sacudi tombos. Resgatei brilho. Caminhei sobre pontes. Corri deserto. Aceitei desejos. Parti de longe. Refleti no tempo. Brindei sorrisos. Escutei o vento. 
Abracei mundo. Agarrei o meu. Sou toda minha.
Explodi.
Parti.

...voando.



terça-feira, 17 de abril de 2012

2 rotas.

Fala-se dos desesperados.
Ressaltam que em suas idas e vindas, nas dúvidas e contratempos, eles optam por preencherem seus dias de mesmices.
Afirmam ser a rotina acumulada, o que pesa. 
É o tal do corpo velho e da alma nova.
...serve para quê?
Corre-corre. E no fim chega-se ao mesmo lugar.
Entediados que persistem no percurso já ultrapassado.
Chegam.
Sem surpresa, perdendo o brilho.
Seguindo um mapa, não param para questionar ou saber se é de concreto, se é real.
Não sabem se ao menos sentem algo. 
E o coração, ainda bate?
(...)
Fala-se em desesperados geniais.
Os que alteram a rota arriscando-se.
Inovando o mundo por apenas um segundo.
São mantidos vivos pela angustia provocada pelo ócio.
São mantidos vivos por si mesmos.
...e são como a Terra, que em seu interior, guarda calor para manter-se viva.
São os que se perdem, que se permitem. 
Carregam na bagagem, o novo.
São sustentados em função de suas próprias buscas interiores.
Exteriorizam todo o sentimento da verdade.
Eles continuam reluzentes em qualquer idade, meio ou ambiente.

São eles os que possuem passos serenos e o olhar mais intenso.



quinta-feira, 1 de março de 2012

girando.

Vira rotina.
Com razão, sente que acabou e bota todo sentimento pra fora.
Não vale mais a pena.
No fim, escolhe para onde o barco vai navegar e, navega.
Viagem interna.  Manda embora.
Inevitável olhar triste, sucumbido de sinceridade e traumas passados.
Seres humanos nascem pra errar e fazem de tudo para que dê certo.
Assim do jeito deles, do jeito de cada um.
Ansiedade que transborda em pedaços.
Olha para o vago e de lá retira razão.
Sentido cobiçado por todos nós. 
O mal que isso faz...
Percebe-se:  quem ama a liberdade e dela não se desfaz, também paga um preço.
Volta a girar.

Somos todos feitos de encontros e desencontros.








domingo, 8 de janeiro de 2012

serenidade, idade.

...eu poderia de alguma forma tentar me vingar.
Eu poderia optar por fechar os olhos e escutar tudo que os sentimentos infelizes trazem.
Poderia amargurar meu coração.
Enfeitar com laços pretos todas as lembranças boas.
Chorar lágrimas de desgosto.
Poderia deixar pra trás todo o aprendizado e partir para o regresso.
Poderia deixar que o mal ofuscasse todos os abraços e sorrisos sinceros e as palavras que um dia, também foram sinceras.
Poderia apagar as luzes do quarto e dos olhos.
Desabrochar em conformidade com a realidade que às vezes nos faz cair, tropeçar, fraquejar, morrer.
Poderia me esquecer do sol.
Ou da lua.
Poderia esquecer todos os amigos bons, as discussões de bar, as palavras de amor.
Poderia optar por fechar o coração, por traduzir todos os sentimentos e sobreviver a uma vida sem sal. Apenas sobreviver.
Mas de alguma forma, através de algum pensamento, de algum sentido sobreposto em uma ocasião ou no silêncio, estabeleci o traço do aquecimento da vida.
Respeitei o meu próprio nascimento e a surgimento de cada novo dia.
Restabeleci a minha ordem, a minha faceta, a minha vontade.
Desencontrando o sentido e se esquecendo dele, optei por caminhar.
Apenas caminhar.
E assim, eu me respeitei.

dia 4 de janeiro de 2012 no Arpoador,  Ipanema - RJ