Um jagunço. Ano velho. Fica pra trás, rapaz. É a nova era no entardecer. Amolecem primaveras, sacode verão. Desanda na lua, chama tua viúva A parte que pra trás quis deixar. Clareia infinito. Base do trombone. Filtra tons. Sacode taças, aquela gargalhada. Observa fogo, mata a sede. Poros ambientes. Faz parte da madeira. Curva pra chocar. Passa as mãos nos nós. Sente, segue Não tem dó. Segura roda, seca prudência. Samba todo instante. Traz pro agora toda a aurora Julga passos noutrora. “façamos obras primas”
Caso não se lembre, eu lavei a alma. Repentinamente acolhi o sorriso mais puro e logo mantive os braços abertos. E assim circulei na companhia do vento singelo... Apoiei-me sobre a pequena janela do mundo Acordei o sol e soletrei alegrias Descobri um coração mais calmo, mais tranquilo. E foi por isso que flutuei na paisagem de paz. E flutuando, acolhi a miragem mais bela Lembro-me bem, a brisa era leve. Então, me libertei. Escolhi me acorrentar ao ato do desapego. Aceitei os erros e brindei todas as quedas Fechei os olhos e segui o compasso livre da alma aberta E assim pude sentir o peso da sinceridade. Vi a luz ressurgindo Concedi todo o meu jardim de girassóis à paciência Lembrei que era pelo Bem que eu sobrevivia. Meus instintos concordaram e sussurraram: “É pela evolução que os corações reflorescem.” No presente, meus passos seguem sem discordar.
Roubaram-lhe um pedaço do corpo Violaram princípios antigos Em sete chances arrebentaram o cadeado Em todas. Descobriram os sete segredos Jogaram-lhes aos ventos Todos. Violaram condutas e costumes Dispensaram formalidades e considerações Lambuzaram-se em mentiras Lavaram almas na dança de lodo Proclamaram mentiras Brindaram fatalidades Deterioraram esperanças cotidianas Debruçaram-se sobre a inércia Alimentaram-se de papéis Formularam maldades Trancaram, encaixotaram, arremessaram. Esqueceu-se de fechar a porta. A porta. Hipócritas ofereceram veneno aos sonhos.
No lado firme da vida, lá aonde as mãos não tocam e as palavras aconchegam, é o esconderijo do seu ser, do interior afastado e isolado.
Involuntários pensamentos maldosos tiveram como objeto um coração triste, amargurado pelas reações humanas. Atos viris.
Houve questionamento, deslumbrou-se da razão e tudo aquilo tomou conta de suas descrições.
Eram ilusões e frustrações.
A triste hora: o desvio fez dos momentos puros e dos atos sobrevindos da amizade real, reflexões de inferioridade e desgosto.
Triste hora. Era o seu ponto de fraqueza.
Era o que acontecia quando a dor atormentava. Eram lembranças.
Depois, vinham raiva e considerações maldosas.
Exatamente ali ela regredia. Seu espírito destoava de seu abraço fraterno.
Mas em seu esconderijo profundo, sabia quem realmente segurava sua mão, quem olhava em seus olhos e compreendia passo a passo os trejeitos de sua alma.
O mundo tinha desabado, seu mapa havia desaparecido. Ela estava sozinha.
Havia perdido o brilho nos olhos, a pureza de criança que contaminava a forma como antes abraçava o mundo.
Ela era alegre e possuía sentimentos brandos.
A menininha sabia, por mais que o mundo a fizesse desacreditar: Havia luz lá no finalzinho do Eixão ou de um canudinho. Ela não iria desistir dos bons sentimentos ou da sua maneira leve e sincera de acreditar nos seres humanos. E quando isso acontecesse, era a esperança que acendia mais uma velinha.
Rasgue mapas Regue vontades Resgate regras Reveja conceitos Rejeite planos Realize sonhos Respeite perdas Respire a brisa nova Recaia em ondas Revire lembranças Regenere a força Reequilibra-se no ciclo Requebre relações Redirecione intenções Risque o pequeno Reveja a leveza Recrie o Bem Releia sentimentos Retrate laços Reabilite a esperança Reflita, recorde, reconsidere Ria se este é o seu melhor.
Só o tempo seria capaz de apagar memórias, de escrever linhas novas, de declarar a sensação de novidade. Seria ele então, capaz de remediar a doença crônica dos desesperados, afastando carências e erros? Advirto sobre o tempo capaz de escolher as respostas apropriadas e colocá-las nos lugares certos do quebra-cabeça errado da vida. Seria ele capaz de clarear os caminhos mais turvos, de acertar as linhas tortas do desterro, e se persistir, saberia ele a resposta de tantas perguntas não questionadas? O tempo capaz de amadurecer os despreocupados, de suavizar o aperto dos aflitos, de orientar para onde guardar tamanha saudade. Tempo que incomoda, que bate à porta, que pede passagem e que nem sempre é bem vindo. Tempo que traz em seu vento bons frutos, a rara flor com cor de compreensão, a flecha de fogo extasiado aos desestimulados, a cura para os corações partidos. É tempo de esperar que o tempo nos faça superar a dor das desilusões.