terça-feira, 17 de abril de 2012

2 rotas.

Fala-se dos desesperados.
Ressaltam que em suas idas e vindas, nas dúvidas e contratempos, eles optam por preencherem seus dias de mesmices.
Afirmam ser a rotina acumulada, o que pesa. 
É o tal do corpo velho e da alma nova.
...serve para quê?
Corre-corre. E no fim chega-se ao mesmo lugar.
Entediados que persistem no percurso já ultrapassado.
Chegam.
Sem surpresa, perdendo o brilho.
Seguindo um mapa, não param para questionar ou saber se é de concreto, se é real.
Não sabem se ao menos sentem algo. 
E o coração, ainda bate?
(...)
Fala-se em desesperados geniais.
Os que alteram a rota arriscando-se.
Inovando o mundo por apenas um segundo.
São mantidos vivos pela angustia provocada pelo ócio.
São mantidos vivos por si mesmos.
...e são como a Terra, que em seu interior, guarda calor para manter-se viva.
São os que se perdem, que se permitem. 
Carregam na bagagem, o novo.
São sustentados em função de suas próprias buscas interiores.
Exteriorizam todo o sentimento da verdade.
Eles continuam reluzentes em qualquer idade, meio ou ambiente.

São eles os que possuem passos serenos e o olhar mais intenso.



quinta-feira, 1 de março de 2012

girando.

Vira rotina.
Com razão, sente que acabou e bota todo sentimento pra fora.
Não vale mais a pena.
No fim, escolhe para onde o barco vai navegar e, navega.
Viagem interna.  Manda embora.
Inevitável olhar triste, sucumbido de sinceridade e traumas passados.
Seres humanos nascem pra errar e fazem de tudo para que dê certo.
Assim do jeito deles, do jeito de cada um.
Ansiedade que transborda em pedaços.
Olha para o vago e de lá retira razão.
Sentido cobiçado por todos nós. 
O mal que isso faz...
Percebe-se:  quem ama a liberdade e dela não se desfaz, também paga um preço.
Volta a girar.

Somos todos feitos de encontros e desencontros.








domingo, 8 de janeiro de 2012

serenidade, idade.

...eu poderia de alguma forma tentar me vingar.
Eu poderia optar por fechar os olhos e escutar tudo que os sentimentos infelizes trazem.
Poderia amargurar meu coração.
Enfeitar com laços pretos todas as lembranças boas.
Chorar lágrimas de desgosto.
Poderia deixar pra trás todo o aprendizado e partir para o regresso.
Poderia deixar que o mal ofuscasse todos os abraços e sorrisos sinceros e as palavras que um dia, também foram sinceras.
Poderia apagar as luzes do quarto e dos olhos.
Desabrochar em conformidade com a realidade que às vezes nos faz cair, tropeçar, fraquejar, morrer.
Poderia me esquecer do sol.
Ou da lua.
Poderia esquecer todos os amigos bons, as discussões de bar, as palavras de amor.
Poderia optar por fechar o coração, por traduzir todos os sentimentos e sobreviver a uma vida sem sal. Apenas sobreviver.
Mas de alguma forma, através de algum pensamento, de algum sentido sobreposto em uma ocasião ou no silêncio, estabeleci o traço do aquecimento da vida.
Respeitei o meu próprio nascimento e a surgimento de cada novo dia.
Restabeleci a minha ordem, a minha faceta, a minha vontade.
Desencontrando o sentido e se esquecendo dele, optei por caminhar.
Apenas caminhar.
E assim, eu me respeitei.

dia 4 de janeiro de 2012 no Arpoador,  Ipanema - RJ

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Obras primas.

Papéis e rascunhos.
Um jagunço. Ano velho.
Fica pra trás, rapaz.
É a nova era no entardecer.
Amolecem primaveras, sacode verão.
Desanda na lua, chama tua viúva
A parte que pra trás quis deixar.
Clareia infinito.
Base do trombone.
Filtra tons.
Sacode taças, aquela gargalhada.
Observa fogo, mata a sede.
Poros ambientes.
Faz parte da madeira.
Curva pra chocar.
Passa as mãos nos nós.
Sente, segue
Não tem dó.
Segura roda, seca prudência.
Samba todo instante.
Traz pro agora toda a aurora
Julga passos noutrora.
“façamos obras primas”

Vai ser.


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

com os braços abertos.

Tudo foi como eu te disse.
Caso não se lembre, eu lavei a alma.
Repentinamente acolhi o sorriso mais puro e logo mantive os braços abertos.
E assim circulei na companhia do vento singelo...
Apoiei-me sobre a pequena janela do mundo
Acordei o sol e soletrei alegrias
Descobri um coração mais calmo, mais tranquilo.
E foi por isso que flutuei na paisagem de paz.
E flutuando, acolhi a miragem mais bela
Lembro-me bem, a brisa era leve.
Então, me libertei.
Escolhi me acorrentar ao ato do desapego.
Aceitei os erros e brindei todas as quedas
Fechei os olhos e segui o compasso livre da alma aberta
E assim pude sentir o peso da sinceridade.
Vi a luz ressurgindo
Concedi todo o meu jardim de girassóis à paciência
Lembrei que era pelo Bem que eu sobrevivia.
Meus instintos concordaram e sussurraram:
“É pela evolução que os corações reflorescem.”
No presente, meus passos seguem sem discordar.



terça-feira, 25 de outubro de 2011

Persuasão

Roubaram-lhe um pedaço do corpo
Violaram princípios antigos
Em sete chances arrebentaram o cadeado
Em todas.
Descobriram os sete segredos
Jogaram-lhes aos ventos
Todos.
Violaram condutas e costumes
Dispensaram formalidades e considerações
Lambuzaram-se em mentiras
Lavaram almas na dança de lodo
Proclamaram mentiras
Brindaram fatalidades
Deterioraram esperanças cotidianas
Debruçaram-se sobre a inércia
Alimentaram-se de papéis
Formularam maldades
Trancaram, encaixotaram, arremessaram.
Esqueceu-se de fechar a porta.
A porta.
Hipócritas ofereceram veneno aos sonhos.





sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Para quem tem coração, um aperto serve pra mostrar que ele está vivo.

No lado firme da vida, lá aonde as mãos não tocam e as palavras aconchegam, é o esconderijo do seu ser, do interior afastado e isolado.
Involuntários pensamentos maldosos tiveram como objeto um coração triste, amargurado pelas reações humanas. Atos viris.
Houve questionamento, deslumbrou-se da razão e tudo aquilo tomou conta de suas descrições.
Eram ilusões e frustrações.
A triste hora: o desvio fez dos momentos puros e dos atos sobrevindos da amizade real, reflexões de inferioridade e desgosto.
Triste hora. Era o seu ponto de fraqueza.
Era o que acontecia quando a dor atormentava. Eram lembranças.
Depois, vinham raiva e considerações maldosas.
Exatamente ali ela regredia. Seu espírito destoava de seu abraço fraterno.
Mas em seu esconderijo profundo, sabia quem realmente segurava sua mão, quem olhava em seus olhos e compreendia passo a passo os trejeitos de sua alma.
O mundo tinha desabado, seu mapa havia desaparecido. Ela estava sozinha.
Havia perdido o brilho nos olhos, a pureza de criança que contaminava a forma como antes abraçava o mundo.
Ela era alegre e possuía sentimentos brandos.
A menininha sabia, por mais que o mundo a fizesse desacreditar: Havia luz lá no finalzinho do Eixão ou de um canudinho. Ela não iria desistir dos bons sentimentos ou da sua maneira leve e sincera de acreditar nos seres humanos. E quando isso acontecesse, era a esperança que acendia mais uma velinha.